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Qual a Carga Ideal? Como Escolher o Peso Certo no Treino

Montinho Personal Trainer··10 min de leitura
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Se existe uma pergunta que eu escuto toda semana dentro das academias de Alphaville, é essa: "Montinho, quanto peso eu coloco?". A resposta honesta é que não existe um número mágico impresso na barra. A carga ideal é aquela que faz você chegar perto o suficiente do limite dentro da faixa de repetições que você planejou, com uma técnica que você consegue repetir série após série. Parece simples, mas na prática quase todo mundo erra — para mais ou para menos.

Qual a carga ideal na musculação: como escolher o peso certo usando RIR e progressão

Eu perdi mais de 40 kg e passei por todas as fases dessa confusão: já treinei com peso ridículo achando que estava "sentindo o músculo" e já coloquei carga que só serviu para me machucar o ombro. O que me fez evoluir de verdade foi aprender a medir o esforço, e não o ego. É exatamente isso que eu vou te ensinar aqui.

O erro de pensar só em número de repetições

A maioria das pessoas aprendeu que "3 séries de 12" é a receita da hipertrofia. O problema é que 12 repetições com um peso confortável e 12 repetições com um peso que quase te derruba produzem estímulos completamente diferentes. O número de repetições sozinho não diz nada — o que importa é o quão perto do limite você chegou.

A literatura atual, com trabalhos de Schoenfeld e colaboradores, mostra algo libertador: a hipertrofia acontece numa faixa ampla de repetições, mais ou menos de 5 a 30 por série, desde que a série termine razoavelmente próxima da falha muscular. Ou seja, você pode crescer treinando com 8 repetições pesadas ou com 20 repetições leves — o que muda é o desconforto, o tempo de sessão e o desgaste articular.

Isso não significa que tanto faz. Faixas mais baixas (3 a 6) desenvolvem melhor a força máxima e exigem mais atenção técnica. Faixas médias (6 a 15) são o ponto de equilíbrio para a maioria e é onde eu concentro o treino dos meus alunos. Faixas altas (15 a 30) são úteis para exercícios de isolamento, articulações sensíveis e para quem está voltando de pausa.

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Descubra seu 1RM e quanto colocar na barra

Informe a carga e quantas repetições você conseguiu fazer para estimar seu 1RM e ver as cargas de cada intensidade do treino.

Informe uma carga e o número de repetições realizadas para estimar seu 1RM.

Exemplo: 80 kg × 8 repetições.

Você não precisa testar uma repetição máxima real para ter uma referência de carga. Use uma série que já fez no treino normal.

O resultado é uma estimativa para organizar o treino, não uma recomendação para tentar uma carga máxima. Técnica, experiência, fadiga e o contexto do exercício mudam bastante o que é seguro e possível.

Esta é a Calculadora de 1RM do site — a versão completa fica em página própria, com a comparação entre as fórmulas e onde cada uma erra mais.

RIR e RPE: as duas ferramentas que resolvem a dúvida

RIR significa "repetições em reserva". É simplesmente quantas repetições você ainda conseguiria fazer, com boa técnica, se continuasse a série. Terminou a série achando que daria mais duas? RIR 2. Não daria mais nenhuma? RIR 0, ou seja, falha.

RPE é a percepção subjetiva de esforço numa escala de 1 a 10. Na musculação, ela é usada em espelho com o RIR: RPE 10 é falha, RPE 9 é uma repetição na reserva, RPE 8 são duas, e assim por diante. Eu escrevi um material só sobre isso em escala RPE na musculação, mas a tabela abaixo já resolve o dia a dia.

RPERIRComo você se senteQuando usar
64+Confortável, longe do limiteAquecimento, técnica nova, deload
73Puxou, mas sobrou bastanteInício de bloco, exercícios pesados
82Últimas repetições difíceisFaixa principal de trabalho
91Muito difícil, velocidade caiSéries finais, exercícios seguros
100Falha técnica ou concêntricaIsolamentos, uso pontual

Na prática, eu oriento a maior parte do treino entre RPE 7 e 9. Isso deixa estímulo suficiente sem transformar cada sessão numa catástrofe de recuperação. A falha total tem lugar, mas é uma ferramenta, não uma religião — falei disso em detalhe em treinar até a falha.

O ponto onde quase todo mundo se engana

Estudos que compararam RIR estimado com RIR real mostram que iniciantes tendem a superestimar bastante o próprio esforço. A pessoa jura que estava a uma repetição da falha e, quando o treinador insiste, ela faz mais cinco. Isso é normal e melhora com prática. Por isso, se você está começando, vale de vez em quando levar uma série de exercício seguro (máquina, cabo, isolamento) até a falha real, só para calibrar a régua interna. É como aferir uma balança.

Como testar a carga na prática

Aqui está o protocolo que eu uso com aluno novo, seja no condomínio ou na academia:

  1. Aqueça de forma específica. Duas a três séries progressivas no próprio exercício, com carga baixa e sem esforço. Isso não é treino, é preparação.
  2. Escolha um chute inicial conservador. Um peso que você imagina fazer umas 15 repetições, mesmo que o alvo seja 10.
  3. Faça a primeira série de trabalho e conte o RIR. Se sobrou muito (RIR 4 ou mais), suba de 5% a 10% na próxima série.
  4. Repita o ajuste até cair na janela. A carga ideal é aquela em que você atinge o alvo de repetições com RIR entre 1 e 3.
  5. Anote. Sem registro, você recomeça a adivinhação toda semana. Caderno, planilha ou aplicativo — tanto faz, desde que exista.

Nas primeiras duas ou três sessões de um exercício novo, é normal a carga subir rápido. Não é o músculo crescendo em 48 horas: é o sistema nervoso aprendendo o padrão de movimento. Aproveite essa fase, mas não confunda aprendizado com progresso de longo prazo.

Quando subir o peso: a progressão dupla

O método mais simples e mais confiável para saber a hora de aumentar a carga é a progressão dupla. Funciona assim: você define uma faixa de repetições, por exemplo 8 a 12. Você mantém a carga até conseguir fazer o topo da faixa (12) em todas as séries planejadas, com boa técnica. Quando isso acontecer, sobe o peso e volta para a base da faixa (8). E recomeça.

SemanaCargaSéries x repetiçõesDecisão
140 kg3 x 8, 8, 8Manter
240 kg3 x 10, 9, 9Manter
340 kg3 x 12, 11, 10Manter
440 kg3 x 12, 12, 12Subir para 42,5 kg
542,5 kg3 x 9, 8, 8Ciclo recomeça

Note que o salto foi pequeno. Em exercícios de membros superiores, incrementos de 1 a 2,5 kg já bastam. Em membros inferiores, 5 kg costuma ser razoável. Subir de 10 em 10 kg no supino porque foi o que tinha na academia é receita para quebrar a técnica. Se a academia só tem anilhas grandes, use anilhas fracionadas próprias ou aumente as repetições antes de aumentar o peso. Falei mais sobre estratégias de aumento em progressão de carga.

Nem toda progressão é de peso

Carga é o caminho mais óbvio, mas não é o único. Você também progride quando faz a mesma carga com mais repetições, com mais séries, com menos descanso, com melhor amplitude ou com execução mais controlada. Em fases em que o peso trava, esses outros caminhos mantêm o estímulo crescendo. E se nada anda há meses, o problema raramente é a carga isolada — geralmente é volume, recuperação ou consistência, assunto que eu destrinchei em como sair do platô da musculação.

Erros comuns na escolha da carga

  • Peso alto com técnica ruim. Balançar o tronco na rosca direta, saltar o quadril no leg press, jogar o supino no peito. Você move mais peso e treina menos músculo. Além disso, aumenta risco de lesão. É o erro número um que eu vejo, e está na lista de erros comuns no treino de musculação.
  • Peso baixo demais por medo. Muito comum em quem está começando, principalmente mulheres que foram ensinadas a "não pesar". Série que termina com cinco repetições na reserva praticamente não estimula crescimento.
  • Mudar de carga a cada série sem critério. Se você não registra, você não sabe se progrediu.
  • Usar a mesma carga do colega. Alavancas, comprimento de membro, experiência e recuperação são individuais. O peso do outro não é referência para nada.
  • Achar que dor articular é parte do processo. Não é. Ardência muscular e falta de ar são esperadas; pontada em ombro, joelho ou lombar não. Se a dor articular persiste, reduza a carga, ajuste a amplitude e procure avaliação médica ou fisioterapêutica. Ignorar isso já custou meses de treino para muita gente que eu acompanho.

Carga muda com o contexto — e tudo bem

Uma coisa que demorei para aceitar: a carga do dia não é uma nota da sua vida. Você dormiu cinco horas, brigou no trabalho, treinou no fim de um dia longo — é esperado que o peso caia. Nesses dias, mantenha o RIR alvo e aceite menos carga. Isso é treinar com inteligência, não fraqueza. O oposto também vale: em dias bons, se a barra está voando, suba um pouco.

Outro fator subestimado é o descanso. Séries pesadas com 45 segundos de intervalo caem de rendimento drasticamente. Para exercícios grandes, 2 a 3 minutos costumam ser necessários; para isolamentos, 1 a 2 minutos resolvem. O tema tem nuances que eu cobri em descanso entre séries.

E o famoso teste de 1RM?

Testar a repetição máxima tem valor para quem compete em força. Para quem treina por estética e saúde, é desnecessário e traz risco: estimativas por fórmulas a partir de séries de 5 a 10 repetições já dão referência suficiente.

Um resumo que cabe no bolso

A carga ideal é a que permite atingir a faixa de repetições planejada terminando com 1 a 3 repetições na reserva, com técnica estável do começo ao fim da série. Quando você consegue o topo da faixa em todas as séries, sobe o peso. Quando a técnica quebra, desce. Quando dói articulação, para e investiga.

Não existe atalho aqui — existe registro, consistência e paciência. Foi assim que eu saí de mais de 120 kg e é assim que eu conduzo os alunos que acompanho em Alphaville. O peso certo hoje é o que te permite levantar um pouco mais daqui a um mês.

Carga bem escolhida também encurta treino: neste Short do meu canal eu falo sobre quanto tempo o seu treino precisa durar:

Referências

  • Schoenfeld BJ, Grgic J, Ogborn D, Krieger JW. Strength and hypertrophy adaptations between low- vs. high-load resistance training. Journal of Strength and Conditioning Research, 2017.
  • Helms ER, Cronin J, Storey A, Zourdos MC. Application of the repetitions in reserve-based rating of perceived exertion scale for resistance training. Strength and Conditioning Journal, 2016.
  • Refalo MC, Helms ER, Hamilton DL, Fyfe JJ. Influence of resistance training proximity-to-failure on skeletal muscle hypertrophy. Sports Medicine, 2023.

Perguntas frequentes

Qual carga usar se eu sou iniciante total?

Comece leve de propósito, com um peso que te permita fazer 12 a 15 repetições sobrando esforço. Nas primeiras semanas o objetivo é aprender o movimento, não testar limite. A partir da terceira ou quarta sessão você já consegue ajustar para terminar as séries com 2 a 3 repetições na reserva.

Preciso treinar até a falha para a carga estar certa?

Não. A maior parte da evidência mostra resultados muito parecidos entre treinar até a falha e parar com 1 a 3 repetições na reserva, com menos fadiga acumulada na segunda opção. A falha pode ser usada pontualmente, de preferência em exercícios de isolamento ou máquinas.

De quanto em quanto tempo devo aumentar o peso?

Não existe prazo fixo. Use a progressão dupla: aumente quando conseguir o topo da faixa de repetições em todas as séries com boa técnica. Para iniciantes isso pode acontecer quase toda semana; para avançados, pode levar mais de um mês no mesmo exercício.

É melhor pouco peso com muitas repetições ou muito peso com poucas?

Para hipertrofia, as duas estratégias funcionam quando a série chega próxima da falha. Cargas mais altas favorecem mais o ganho de força, e cargas mais baixas costumam ser mais confortáveis para as articulações. O ideal para a maioria é ficar na faixa intermediária, entre 6 e 15 repetições.

Por que minha carga cai de um dia para o outro?

Sono ruim, estresse, alimentação insuficiente, treino anterior pesado no mesmo grupo muscular e até horário do dia afetam o rendimento. Oscilação é normal. O que importa é a tendência ao longo de semanas, não o número de uma sessão isolada.

Sinto dor no ombro quando aumento a carga. O que fazer?

Reduza o peso, ajuste a amplitude e a pegada, e observe se a dor some. Se a dor articular persiste mesmo com carga leve, ou se aparece fora do treino, procure avaliação médica ou fisioterapêutica antes de continuar. Dor articular persistente não é algo para tentar resolver na base da insistência.

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Montinho Personal Trainer

Personal Trainer especialista em emagrecimento e transformação corporal. Atendimento presencial em Alphaville (Barueri e Santana de Parnaíba) e online em todo o Brasil.

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