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Como Montar um Treino Usando Retatrutida

Montinho··10 min de leitura·

Montar um programa de treino durante o uso de Retatrutida não é simplesmente pegar qualquer planilha de musculação e seguir. O contexto é diferente: você está em déficit calórico significativo, com apetite suprimido e, possivelmente, com energia reduzida. Ignorar isso é um dos erros mais comuns — e mais caros em termos de perda de músculo.

Se preferir, assista ao video abaixo para aprofundar este tema.

Como montar um treino usando retatrutida: musculação como base, volume adequado ao déficit e recuperação priorizada
O treino certo para a fase de retatrutida: base de força e recuperação.

Este guia apresenta um passo a passo para construir um programa de treino eficiente e seguro durante o tratamento com Retatrutida.

Princípio 1: A musculação vem primeiro

O objetivo central do treino durante o uso de Retatrutida é preservar a massa muscular enquanto o emagrecimento acontece. E a única modalidade que faz isso com eficiência comprovada é o treino de força — a musculação.

Cardio, HIIT e outras modalidades têm seu papel, mas são complementares. Se você tem energia limitada para treinar (o que é a realidade da maioria dos usuários, especialmente no início do tratamento), invista esse recurso primeiro onde o retorno é maior: no treino de força.

Wilson e colaboradores (2012) demonstraram que no treinamento concorrente — quando força e cardio coexistem no programa — o treino de força deve ser priorizado para otimizar a composição corporal. Isso é ainda mais relevante quando a disponibilidade energética é limitada.

Princípio 2: Volume e intensidade adaptados à disponibilidade energética

O volume de treino ideal para hipertrofia em condições normais gira em torno de 10 a 20 séries por grupo muscular por semana, conforme a revisão de Schoenfeld (2016). Para usuários de Retatrutida, especialmente nas primeiras semanas, o limite inferior desse intervalo é mais adequado.

A lógica é simples: mais volume exige mais recuperação, que por sua vez exige mais energia e proteína. Com a ingestão alimentar reduzida, a capacidade de se recuperar de altos volumes de treino também é reduzida.

Recomendação prática por fase:

  • Fase inicial (semanas 1-8): 8 a 12 séries por grupo muscular por semana, intensidade moderada (60-70% da carga máxima)
  • Fase intermediária (semanas 8-24): 10 a 15 séries por grupo muscular, intensidade progressiva
  • Fase de manutenção e progressão: 12 a 16 séries, com progressão de carga regular

Princípio 3: A progressão de carga continua sendo o objetivo

Mesmo em déficit calórico severo, a progressão de carga é o que sinaliza ao músculo que ele precisa ser preservado. Se você não apresenta nenhum estímulo progressivo, o corpo não tem razão para manter aquela massa muscular "cara" em termos energéticos.

A progressão pode ser mais lenta do que em um contexto de alimentação abundante — e tudo bem. O importante é que ela exista. Veja mais em progressão de carga: como continuar evoluindo.

Divisão de treino recomendada: Full Body 3x/semana

Para a maioria dos usuários de Retatrutida, especialmente no início do tratamento, o treino full body 3 vezes por semana é a divisão mais eficiente.

Vantagens do full body nesse contexto:

  • Cada grupo muscular recebe estímulo 3 vezes por semana — frequência ideal para preservação muscular
  • Volume por sessão é menor — o que se adapta melhor à menor disponibilidade energética
  • Flexibilidade: se uma sessão for cancelada (por mal-estar ou efeito colateral da medicação), os outros treinos da semana ainda cobrem todos os grupos
  • Sessões mais curtas (40-50 min) são mais fáceis de completar quando a energia está reduzida

Exemplo de programa Full Body 3x/semana

Estrutura para segunda, quarta e sexta (ou qualquer 3 dias não consecutivos):

Exercícios base (todos os dias):

  • Agachamento livre ou leg press — 3 séries de 8-12 repetições
  • Supino reto com barra ou halteres — 3 séries de 8-12 repetições
  • Remada curvada ou puxada no pulley — 3 séries de 8-12 repetições
  • Desenvolvimento de ombros — 2 séries de 10-15 repetições
  • Rosca direta ou rosca martelo — 2 séries de 10-15 repetições
  • Tríceps no pulley ou francês — 2 séries de 10-15 repetições
  • Panturrilha em pé ou sentado — 3 séries de 12-15 repetições
  • Prancha abdominal — 3 séries de 30-45 segundos

Duração total: 45 a 55 minutos, incluindo aquecimento e desaquecimento.

Seleção de exercícios: priorize compostos

Exercícios compostos — aqueles que recrutam múltiplos grupos musculares simultaneamente — são mais eficientes para preservação muscular em déficit calórico. Com a energia limitada, é melhor trabalhar muitos músculos em um exercício do que vários exercícios para um único músculo.

Priorize:

  • Agachamento, leg press, afundo (quadríceps + glúteo + posterior)
  • Levantamento terra romeno, stiff (posterior de coxa + glúteo + lombar)
  • Supino, crucifixo, flexão (peito + ombro + tríceps)
  • Remada, puxada, pull-up (costas + bíceps + ombro posterior)
  • Desenvolvimento (ombros + tríceps)

Exercícios isolados (rosca, tríceps isolado, extensora) são úteis como complemento, mas não devem dominar o programa quando o tempo e a energia são limitados.

Periodização adaptada para o contexto de GLP-1

O posicionamento do ACSM (2009) sobre progressão de exercício estabelece que a periodização — variação planejada de volume e intensidade ao longo do tempo — é essencial para progresso contínuo e prevenção de platô.

Para usuários de Retatrutida, a periodização precisa considerar também as fases do tratamento:

  • Fase de adaptação (semanas 1-8): Volume conservador, intensidade moderada. O objetivo é criar o hábito de treinar e adaptar o corpo ao exercício em déficit calórico. Não tente progredir rápido demais aqui.
  • Fase de manutenção e progressão lenta (semanas 8-24): Progressão gradual de carga a cada 2 a 3 semanas. Foco em manter ou levemente aumentar as cargas conforme a adaptação permite.
  • Fase de consolidação: Com o organismo mais adaptado ao tratamento e a ingestão alimentar mais estável, o treino pode se aproximar de um programa convencional de hipertrofia.

Veja mais sobre periodização no artigo sobre frequência de treino e como ela se relaciona com o volume total de trabalho.

O papel do cardio no programa

Cardio leve — principalmente caminhadas de 20 a 30 minutos — é um complemento valioso nos dias sem musculação. Aumenta o gasto calórico total, melhora o humor e não compromete a recuperação muscular.

HIIT e cardio mais intenso só devem entrar no programa após adaptação ao tratamento e sempre como complemento à musculação — nunca substituindo-a. Veja mais em cardio ou musculação com Retatrutida.

O treino perfeito com Retatrutida não é o mais intenso — é o mais consistente. Um programa que você consegue cumprir todas as semanas, mesmo com energia reduzida, é infinitamente melhor do que um programa ideal que você abandona na segunda semana.

Nutrição que sustenta o treino

Nenhum programa de treino funciona sem o suporte nutricional mínimo. Com a Retatrutida suprimindo o apetite, as prioridades são:

  • Proteína adequada: mínimo 1,6 g/kg de peso corporal por dia, conforme Morton et al. (2018)
  • Refeição pré-treino: mesmo pequena, com proteína e carboidratos de fácil digestão
  • Hidratação planejada: 2 a 3 litros de água por dia, independente da sensação de sede

Saiba mais sobre a estratégia proteica em proteína para quem usa Retatrutida.

Quer um programa montado para o seu caso específico?

Se você quer um programa de treino individualizado que respeite o momento do seu tratamento com Retatrutida e maximize a preservação de massa muscular, estou disponível na minha consultoria online. O programa é ajustado conforme você avança no tratamento e conforme o seu corpo responde.

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Montinho

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